Planejamento em bloco: Prout em diálogo com o Poder Popular venezuelano
DOI:
https://doi.org/10.66821/8wr9pf39Palavras-chave:
Prout, Planejamento em bloco, Poder popular, Autossuficiência econômica, Estado comunalResumo
A presente pesquisa estabelece um diálogo entre a Teoria da Utilização Progressiva -Prout- (Sarkar) e a práxis do Poder Popular na Venezuela, sob a ótica do planejamento territorial e econômico. Trata-se de uma aproximação, a partir de Prout —teoria do Sul Global ainda pouco conhecida—, à construção do Estado Comunal venezuelano. Diante do contexto de guerra multiforme e bloqueio econômico, emerge a necessidade de redefinir o planejamento com vistas à conformação de regiões autossuficientes. Por meio de uma metodologia qualitativa baseada na revisão documental do marco jurídico venezuelano e de instrumentos metodológicos como a Agenda Concreta de Ações (ACA), complementada por entrevistas com especialistas em Estado Comunal e militantes comunais, analisa-se o conceito de bloco como unidade científica de planejamento descentralizado proposta por Prout. Identificam-se profundas convergências entre Prout e o Poder Popular venezuelano, tais como os três níveis de empresas econômicas, a ordem ascendente do planejamento, a demarcação territorial e a priorização dos requisitos mínimos de vida. Verifica-se, ainda, que Prout aporta elementos substantivos, como o cálculo científico de custos que concebe a agricultura como uma indústria organizada, o indicador de capacidade de compra como medida de êxito econômico e a industrialização em escala de bloco para promover emprego e produção local. Conclui-se que a integração do modelo de planejamento em bloco permite superar o localismo fragmentário presente nas comunas da Venezuela, com grande potencial para transformá-las em núcleos de agroindústria organizada, no âmbito das “7 Transformaciones (7T)”, agenda estratégica de desenvolvimento promovida pelo Estado venezuelano.
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